Moinhos de Quinteiro

Tinha uma pista e segui-a. Convencido que ainda iria encontrar algo que se visse e disposto a complementar a minha investigação sobre o rodízio de copos, meti-me à estrada. Passei por Porqueira, Longos Vales, onde tentei obter informações sobre os moinhos que já aqui apresentei mas é complicado. Parei junto de um aglomerado de casas, umas quatro ou cinco, e nem os cães ladravam. Passados alguns minutos vi ao fundo de um caminho estreito um vulto que parecia espiar-me. Era uma mulher de uns sessenta anos. Aproximei-me, sem o capacete, calmamente, e ela deslocou-se também na minha direcção com um pequeno pau na mão e não era para servir de apoio :) Disse-me que não era dali natural, que os moinhos já não funcionavam há mais de quarenta anos, que quem fez os rodízios já tinha morrido duas ou três vezes... Ainda indaguei se haveria por ali quem me pudesse dar algumas informações mais convincentes mas, assim como quem se quer livrar da minha presença disse-me que fosse andando a ver se encontrava alguém...

Foi o que eu fiz, fui andando, andando, mas quando dou conta já as últimas casas ficavam para trás e gente nem vê-la.

Continuei pela estreita estrada em direcção a Merufe, mais concretamente a Quinteiro. Foi um percurso fácil e rápido, Porqueira fica no limite de Longos Vales, para o lado de Merufe e Quinteiro no limite de Merufe para o lado de Longos Vales. Atravessei a pequena localidade e nem tive necessidade de perguntar onde ficavam os moinhos porque as indicações eram muito precisas e, de facto, um relance de vista para uma encosta em frente e lá se viam os vultos verdejantes do que deveriam ser os meus alvos. E eram. Cobertos de aradeiras, não são moinhos mas apenas os escombros do que já foram. Os caboucos vazios não me deram quaisquer indicações acerca do modelo de rodízio de que foram dotados e do interior também nada me foi possível retirar.

Para a posteridade fica o registo de que no lugar de Quinteiro, em Merufe, houve tempo em que se fazia farinha em moinhos de água...

 

Cá temos um. Já foi, seguramente, um lindo moinho, implantado num belo local.

 

Pode não parecer mas debaixo desse montão de aradeiras há os restos de outro moinho...

 

E aqui mais um, o terceiro e último. E mais não digo...

Publicado por Eira-Velha às 15:22 | link do post